Publicação apresenta importância de entender mudanças e tendências do território para formular estratégias de adaptação e mitigação; também traz exemplos de ferramentas e da plataforma do MapBiomas

30 de janeiro de 2025

Mapas e dados gerados a partir de sensoriamento remoto podem contribuir para a construção de soluções para o enfrentamento das mudanças climáticas e ações de adaptação e resiliência. Por isso, a rede MapBiomas lançou a publicação “Uso dos dados do MapBiomas na agenda climática: Como mapas e dados de cobertura e uso da terra contribuem para mitigação e adaptação às mudanças do clima”, um guia que tem por objetivo mostrar como o mapeamento de diferentes aspectos do uso da terra pode ser estratégico para tomadas de decisão. 

Publicada em novembro de 2025, por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Belém, a COP 30, o guia está dividido em cinco capítulos, começando por uma explicação sobre a conexão que existe entre clima, uso da terra e florestas. 

Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), entre  13% e 21% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) têm origem no setor de uso da terra e florestas. No Brasil, essa relação é ainda mais expressiva: de acordo com o SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa), 71% estão associadas ao  uso e mudança da terra. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas estão associadas a transformações na cobertura e no uso da terra, observadas tanto na vegetação nativa e na biodiversidade quanto nas atividades humanas. 

Em seguida, a obra mostra como dados são importantes para entender e traçar estratégias relacionadas a cinco desafios climáticos: segurança hídrica, áreas urbanizadas, adaptação a eventos climáticos extremos, uso da terra e emissões, produção de alimentos e transição energética e mineração. 

Em segurança hídrica, por exemplo, o mapeamento da rede mostra onde estão e quais são os corpos hídricos naturais e antrópicos no país, incluindo dados de bacias hidrográficas, e o que vem acontecendo com eles. 

Já os dados sobre áreas urbanizadas apontam para onde as cidades estão crescendo, em que ritmo e se isso está ocorrendo sobre áreas de risco, como regiões suscetíveis a deslizamentos, o que pode contribuir para o planejamento urbano, incluindo a gestão de áreas verdes. 

No caso de eventos climáticos extremos, mapas e dados sobre a evolução da cobertura e uso da terra podem subsidiar ações de prevenção e resposta a esses fenômenos, contribuindo para assegurar a resiliência das populações e ecossistemas.

Já o acompanhamento da perda de vegetação nativa, seja por desmatamento ou por queimadas, bem como a expansão de vegetação secundária, ajudam a traçar ações de mitigação relacionadas ao uso da terra. 

No caso da produção de alimentos, o mapeamento de áreas de ocorrência e expansão de agricultura, os diferentes cultivos, a dinâmica das  pastagens e  o carbono no solo oferecem subsídios importantes para análises em um setor que reúne múltiplos desafios climáticos. Ao mesmo tempo em que responde por parcela relevante das emissões de gases de efeito estufa, o setor agropecuário está exposto a riscos associados às mudanças climáticas, o que evidencia seu  potencial de mitigação e necessidade de adaptação. 

Finalmente, para a transição climática, os mapas mostram a expansão das usinas fotovoltaicas, mapeamento de cultivos relacionados à produção de biocombustíveis e dados sobre mineração de materiais necessários para baterias e turbinas eólicas, entre outros. Esses levantamentos contribuem para a elaboração de iniciativas em um setor extremamente estratégico para o país. 

Ao longo da obra, são apresentados mapas e módulos da plataforma MapBiomas, relacionando como as informações disponibilizadas pela rede contribuem para entender como o território foi se transformando e identificar tendências. Essas informações baseadas na ciência são aliadas de gestores públicos, setor privado e sociedade civil na formulação de suas soluções de adaptação e mitigação. O guia levanta, ainda, exemplos de projetos e iniciativas que utilizam os dados da rede para gerar impacto em seus territórios de atuação. 

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