09 de março de 2026
Ainda são poucas as mulheres que atuam na área de ciência e tecnologia, se comparadas à participação masculina. Porém, no MapBiomas, a presença de mulheres cientistas, pesquisadoras e especialistas em dados tem aumentando dentro das equipes, trazendo uma diversidade essencial para o trabalho da rede.
“Para o tipo de ciência que fazemos, ou seja, ciência aberta, colaborativa e que gera impacto, a diversidade de idade, conhecimentos, regiões, bem como de gênero, é fundamental”, afirma Julia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas.
Hoje, o MapBiomas conta com mulheres na liderança de diferentes instâncias, como geração de dados e mapas, gestão, articulação institucional e comunicação, de diferentes regiões do Brasil e países. Dos 702 colaboradores nas equipes da rede, 278 (cerca de 40%) são mulheres.
Mas há mais espaço para elas atuarem, diz Julia. “Essa presença feminina precisa crescer mais na área de tecnologia, de desenvolvimento de plataformas e uso de IA (Inteligência Artificial)”, comenta Julia Shimbo.
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, profissionais da rede foram convidadas a contar um pouco sobre o que as inspira a atuar na área que escolheram, quais os desafios que existem para as mulheres na ciência e tecnologia e as características do MapBiomas que elas mais apreciam.

Desafios para as mulheres na ciência e tecnologia
Um dos desafios mais apontados pelas profissionais é que, quando se trata de atuar em ciência e tecnologia, as mulheres sentem que precisam constantemente provar o seu valor. A autoconfiança é “sempre colocada à prova em ambientes que ainda questionam a capacidade das mulheres”, afirma Ana Paula Matos e Silva, da equipe de Pastagem e Agricultura do MapBiomas Brasil.
“Persistem estereótipos que associam ciência e tecnologia a papéis masculinos, o que muitas vezes limita o reconhecimento e a visibilidade do conhecimento técnico das mulheres”, avalia Karen Andrea Huertas, que atua na produção de mapas de cobertura e uso da terra e no MapBiomas Alerta da Colômbia. “A isso se soma a escassez de redes de apoio em áreas altamente técnicas.”
Inspiração para aprender e espaço para contribuir
Ao decidir ou continuar atuando em ciência e tecnologia, as profissionais se inspiram em referências femininas, na curiosidade de aprender mais e na vontade de contribuir com a sociedade e meio ambiente, apesar dos cenários desafiadores.
“Trabalhar em contato direto com florestas, vida selvagem e comunidades locais foi sempre emocionante. Saber que esse trabalho era importante para proteger tanto o meio ambiente quanto as pessoas me fez acreditar que eu estava no caminho certo”, conta Sesilia Maharani Putri, coordenadora do MapBiomas Fogo Indonésia, sobre quando começou a atuar na área científica.
A vontade de saber mais sobre o mundo levou Taciara Zborowski Horst, do MapBiomas Solo Brasil, a entrar nesse universo. “Desde cedo fui movida pela curiosidade e pelo desejo de compreender como o mundo funciona. Foram mulheres, minhas professoras na universidade, que me mostraram que eu poderia fazer ciência e liderar minhas próprias pesquisas.”
Sobre o MapBiomas, as profissionais ressaltam o trabalho colaborativo como uma das fortalezas da rede. “O que me entusiasma na rede é seu caráter colaborativo, alcance global e, acima de tudo, abertura para testar novas ferramentas e propostas dos membros”, conta Mariana Guerra Lara, do MapBiomas Argentina.
Para Natalia Cruzco, da equipe de Mata Atlântica do MapBiomas Brasil, a troca de conhecimento na rede é algo que impressiona. “A interação e integração de diferentes visões sobre um mesmo tema traz uma riqueza ímpar no resultado final.”
Confira, a seguir, os depoimentos:
Ana Paula Matos e Silva – MapBiomas Brasil

Ana Paula faz parte da coordenação técnica de Pastagem e coordena o grupo de trabalho de Acurácia, além de apoiar os outros países da rede.
Inspiração: “Minha inspiração vem da pecuária que vivi de perto, no interior de Goiás. O pasto é algo vivo, que reage ao manejo, à chuva, à seca e ao cuidado (ou à falta dele). Também vi áreas perderem produtividade aos poucos, quase sem a gente perceber. Foi daí que surgiu minha vontade de entender melhor esses processos. Hoje eu trabalho justamente com isso: gerar informações que ajudem a melhorar o manejo, aumentar a eficiência e tornar a pecuária mais equilibrada com o meio ambiente.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Ter a autoconfiança sempre colocada à prova em ambientes que ainda questionam a capacidade das mulheres. Isso alimenta a ‘síndrome do impostor’ e faz muita gente se perguntar se realmente pertence àquele espaço. Além disso, seguir na carreira científica no Brasil é muito instável e torna a permanência na ciência mais difícil.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A conectividade e interação entre todos – é um trabalho muito colaborativo. Também chama a minha atenção o engajamento dos usuários da plataforma, que entram em contato, fazem perguntas e sugerem melhorias. Essa troca constante fortalece o trabalho e mostra o impacto real do que fazemos.”
Andrea Barbieri – MapBiomas Uruguai

Andrea atua como técnica no MapBiomas Água e desenvolve iniciativas para o MapBiomas Uruguai.
Inspiração: “Sempre me inspirei no amor à natureza e no desejo de contribuir para a conservação dos ecossistemas, demonstrando, com dados, a realidade atual para poder conscientizar a sociedade.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Para a minha geração e as anteriores, a primeira dificuldade era a pouca visibilidade das mulheres na ciência. Para muitas, essa área nem era uma opção. Outra grande dificuldade é ter de constantemente demonstrar que os meus conhecimentos e a minha opinião técnica, bem como os das minhas colegas, valem a pena.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A capacidade de trabalhar em rede e contribuir com o conhecimento local para um trabalho regional. E a generosidade em compartilhar o conhecimento por meio das iniciativas de vários países.”
Bárbara Costa – MapBiomas Brasil

Bárbara trabalha com análise e produção de dados de uso e cobertura da terra
Inspiração: “Sempre tive vontade de trabalhar com algo que me permitisse estudar, aprender coisas novas e trocar ideias. Por muito tempo eu nem sabia que isso era, na prática, ser cientista. Até que, na universidade, uma professora disse: ‘Estar na universidade significa aprendizado constante”. Foi quando percebi que podia transformar minha curiosidade sobre as coisas e sobre o mundo em profissão.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Além dos desafios mais conhecidos, como falta de valorização e de oportunidades, somos constantemente questionadas. Muitas vezes precisamos provar nossa capacidade mais do que os homens, seja em relação à qualidade do nosso trabalho ou ao tempo de execução. Isso acaba sendo um peso extra na trajetória científica e profissional.”
O que a impressiona no MapBiomas: “Poder contribuir com algo que tem impacto real no país é muito motivador. Tenho espaço para perguntar, propor ideias e, principalmente, ser ouvida. Isso faz toda a diferença.”
Ethel Rubin de Celis Llanos – MapBiomas Peru

Atua no MapBiomas Fogo e Monitor do Fogo
Inspiração: “Gerar informação livre para que sejam tomadas medidas a nível nacional é uma forma espetacular de transcender, como pessoa, como profissional, como investigadora e gestora.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “É constante a resistência dos colegas em reconhecer que as coisas estão mudando com uma visão mais ampla, mais harmoniosa e constante, qualidades que as mulheres possuem.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A rede é o resultado de uma visão comum. Há um objetivo e um ideal de trabalhar juntos e fazer bem feito.”
Eva Molinedo – MapBiomas Bolívia

Eva atua no desenvolvimento do MapBiomas Água
Inspiração: “O conhecimento em si. Quanto mais se aprende, mais se percebe que existe um mundo muito mais complexo e maravilhoso, e que há muito mais para continuar aprendendo.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “É um pouco complicado abrir caminho em algumas áreas, como na programação. Às vezes, não confiam ou duvidam das suas habilidades.”
O que a impressiona no MapBiomas: “As experiências que são compartilhadas entre cada país são únicas e o trabalho colaborativo impulsiona o crescimento profissional.”
Gabrielle Abreu Nunes – MapBiomas Brasil

Gabrielle atua na coordenação de Comunicação do MapBiomas, conectando ciência, dados e sociedade.
Inspiração: “O que me inspirou a seguir na ciência foi, antes de tudo, a curiosidade de entender e o desejo de contribuir para a conservação da natureza, cuidar melhor dos nossos ecossistemas e, ao mesmo tempo, promover o bem-estar humano. Minha inspiração vem da possibilidade de produzir conhecimento com impacto real, conectando ciência, políticas públicas e sociedade. E também da convicção de que ocupar esse espaço é uma forma de ampliar caminhos para quem vem depois. A percepção de que faltam referências femininas na área se transformou em responsabilidade. Espero poder ser um ponto de apoio ou de identificação para meninas e mulheres que desejam seguir na ciência, na tecnologia ou na comunicação científica.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Vejo que os desafios são estruturais (e podem ser silenciosos). Um deles é a falta de representatividade. Quando não vemos mulheres ocupando determinados espaços, como posições de liderança ou em áreas técnicas, fica mais difícil imaginar que aquele lugar também nos pertence. Outro desafio é o viés implícito, que pode se manifestar na avaliação de competências, na distribuição de oportunidades e no reconhecimento do trabalho. Também identifico que na ciência há pressão por produtividade em um sistema competitivo, que nem sempre considera desigualdades de trajetória e acesso. Apesar disso, é uma alegria ver que cada vez mais mulheres têm transformado esses desafios em força coletiva! Criar redes de apoio, ampliar referências e ocupar espaços estratégicos é parte fundamental da mudança.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A capacidade da rede de integrar universidades, ONGs, órgãos públicos e especialistas em torno de um objetivo comum, que é produzir dados confiáveis sobre o território brasileiro. Também me impressiona a cultura de colaboração entre as equipes técnicas. O MapBiomas mostra que ciência em rede não é apenas sobre tecnologia e algoritmos, mas sobre confiança, governança e construção coletiva de conhecimento.”
Karen Andrea Huertas – MapBiomas Colômbia

Karen atua na prodçuão de mapas de cobertura e uso da terra e no MapBiomas Alerta
Inspiração: “O trabalho das mulheres cientistas me inspira profundamente. Vê-las liderando processos científicos complexos me deu a certeza de que eu também poderia ocupar esses espaços e abrir caminho para que outras o fizessem. Desde muito jovem, a curiosidade por entender como funcionam os ecossistemas tropicais guiou meu caminho. A ciência me deu a linguagem para fazer as perguntas certas e a tecnologia as ferramentas para transformá-las em informações úteis, capazes de contar histórias do território por meio de mapas.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Persistem estereótipos que associam ciência e tecnologia a papéis masculinos, o que muitas vezes limita o reconhecimento e a visibilidade do conhecimento técnico das mulheres. A isso se soma a escassez de redes de apoio em áreas altamente técnicas. No entanto, experiências como o MapBiomas demonstram que construir ciência em rede, com confiança, colaboração e liderança feminina, é uma forma concreta de fechar lacunas e mudar narrativas.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A sua capacidade de reunir cientistas de diferentes países com um objetivo comum: gerar informações abertas, oportunas e úteis, que levem a decisões urgentes e viáveis diante do desmatamento e das mudanças climáticas.”
Mariana Guerra Lara – MapBiomas Argentina

Mariana atua no MapBiomas Monte, Puna e Altos Andes e também no Secretariado da rede
Inspiração: “Desde o ensino médio, eu queria seguir uma carreira com impacto social e encontrei nas ciências ambientais a possibilidade de combinar minha paixão pela natureza com o compromisso de contribuir para a sociedade. Durante minha formação em Ecologia, descobri que a pesquisa poderia ser a carreira profissional que integraria esses interesses. Atualmente, estou fazendo meu doutorado, pesquisando fatores biofísicos e socioculturais que influenciam a conservação da floresta de Caldén na Argentina. Estou preparando minha primeira publicação como autora principal.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Quando converso com colegas que trabalham na área científica, especialmente bolsistas de doutorado, um dos desafios que mais aparece é a chamada ‘síndrome do impostor’. A invisibilização e subestimação das mulheres no ambiente de trabalho, particularmente nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), gerou inseguranças que hoje se traduzem em menor confiança em nossas capacidades, dificuldade em divulgar nossas ideias e medo de errar. Por outro lado, as tarefas de cuidado e criação dos filhos continuam recaindo de forma desproporcional sobre as mulheres. Isso gera uma tensão constante entre as responsabilidades familiares e as exigências de produtividade e disponibilidade que a carreira científica exige.”
O que a impressiona no MapBiomas: “O que mais me impressiona e entusiasma na rede é seu caráter colaborativo, seu alcance global e, acima de tudo, sua abertura para testar novas ferramentas e propostas dos membros.”
Mayumi Cursino de Morua Hirye – MapBiomas Brasil

Mayumi faz parte da equipe de Áreas Urbanizadas e participa das discussões do Urbano América do Sul.
Inspiração: “O que me levou a me especializar na produção de dados para cidades foi a possibilidade de traduzir o fenômeno urbano, que é uma expressão da territorialidade social, em algo mensurável e modelável, no qual os dados são essenciais.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Creio que seres humanos são iguais em direitos e deveres, mas existem peculiaridades culturais e hereditárias que são construídas e desconstruídas no tempo e que perpassam todas as relações e campos de atuação. Os desafios para mulheres envolvem superar comportamentos herdados e reproduzidos que colocam naturalmente homens nas posições de liderança e, especificamente na tecnologia, dão preferência a homens programadores.”
Natalia Crusco – MapBiomas Brasil

Natalia é coordenadora técnica da equipe da Mata Atlântica e participa das iniciativas MapBiomas Alerta, Fogo, Degradação, entre outros
Inspiração: “O que me inspira é o impacto concreto que nosso trabalho gera na sociedade. Produzir dados de alta qualidade, confiáveis e acessíveis, que apoiam decisões estratégicas em diferentes níveis. O que também me motiva é nosso modelo de trabalho em rede (aberto, transparente e colaborativo), que fortalece a ciência através da construção coletiva.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Acho que esse padrão vem mudando nos últimos anos. No MapBiomas, por exemplo, as mulheres têm ocupado cada vez mais espaço e assumido posições de grande relevância. Temos várias inspirações/referências de mulheres dentro da rede que nos ajudam a incentivar tantas outras a seguirem nessas áreas. Mas é sempre importante reforçar a necessidade de garantir ambientes mais inclusivos e combater desigualdades que ainda persistem na ciência e na tecnologia.”
O que a impressiona no MapBiomas: “O que mais me impressiona na rede é a troca de conhecimento e a construção colaborativa. A interação e integração de diferentes visões sobre um mesmo tema traz uma riqueza ímpar no resultado final.”
Natasha Picone – MapBiomas Argentina

Natasha coordena a equipe de mapeamento de Áreas Urbanizadas
Inspiração: “Gosto de aprender em geral, mas particularmente sobre questões ambientais. Poder contribuir com minha pequena parte para melhorar essas questões me motiva todos os dias.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “É um desafio chegar a cargos de direção. Por outro lado, muitas vezes vejo a dificuldade de entender os diferentes ritmos de trabalho que temos, por nos ocuparmos de outras coisas na vida cotidiana.”
O que a impressiona no MapBiomas: “Os valores da rede me parecem fundamentais: a geração colaborativa de conhecimento e informação e o acesso aberto, livre e gratuito tanto aos produtos quanto à metodologia. Acredito que isso confere à rede um enorme potencial.”
Sesilia Maharani Putri – MapBiomas Indonesia

Sesilia atua como coordenadora técnica do MapBiomas Fogo
Inspiração: “Meu primeiro emprego consistia em coletar dados sobre uma área de conservação. Eu precisava entender as características de toda uma paisagem, então o software GIS era essencial para apoiar o trabalho. Eu tinha pouco mais de 20 anos na época, e trabalhar em contato direto com florestas, vida selvagem e comunidades locais era sempre emocionante. Saber que esse trabalho era importante para proteger tanto o meio ambiente quanto as pessoas me fez acreditar que eu estava no caminho certo.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Em muitas ONGs na Indonésia, especialmente aquelas que trabalham com meio ambiente, conservação ou programas de campo, a cultura ainda é fortemente dominada pelos homens. A tomada de decisões frequentemente ocorre em espaços informais, como conversas casuais, bate-papos tarde da noite, pausas para fumar ou reuniões improvisadas que não são documentadas. Quando o acesso ao poder depende da presença nesses espaços, as mulheres são automaticamente excluídas, não por causa da competência, mas por causa da cultura.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A liberdade com que a tecnologia e o conhecimento circulam dentro da rede e do público. A colaboração aberta entre instituições e/ou organizações torna o MapBiomas verdadeiramente único, e é essa abordagem coletiva que permite que a rede se fortaleça ao longo do tempo.”
Taciara Zborowski Horst – MapBiomas Brasil

Taciara atua no MapBiomas Solo, coordenando e executando o desenvolvimento de mapas nacionais de propriedades do solo
Inspiração: “Desde cedo fui movida pela curiosidade e pelo desejo de compreender como o mundo funciona. Foram mulheres, minhas professoras na universidade, que me mostraram que eu poderia fazer ciência e liderar minhas próprias pesquisas. Desde então, escolhi como caminho aquilo que parecia mais desafiador para construir minha trajetória científica.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Na minha experiência, o maior desafio não é apenas acessar os espaços, mas ser ouvida dentro deles. Muitas vezes, mesmo quando a contribuição é consistente e tecnicamente sólida, a mulher só ganha legitimidade quando reiterada por homens. Há uma necessidade constante de provar competência, autoridade e mérito até que essa barreira seja efetivamente superada.”
O que a impressiona no MapBiomas: “A capacidade genuína de colaboração. Encontrei um ambiente que valoriza o coletivo, a diversidade, a inovação e a responsabilidade técnica. Em temas ligados aos recursos naturais, as decisões exigem base científica sólida no presente, mesmo enquanto seguimos aperfeiçoando dados e métodos. Essa compreensão, que está no cerne do MapBiomas, ampliou minha visão sobre ciência: nossa pesquisa não tem um resultado definitivo, mas é um processo contínuo de construção, no qual produzimos, revisamos e aprimoramos, ano após ano, aquilo que entregamos à sociedade.”
Vera Laísa da Silva Arruda – MapBiomas Brasil

Vera é coordenadora técnica no MapBiomas Fogo
Inspiração: “Sou movida pela possibilidade de transformar dados em decisões concretas. Trabalhar com sensoriamento remoto e análise geoespacial me inspira porque conecta ciência, tecnologia e impacto real no território.”
Desafios das mulheres na ciência e tecnologia: “Ainda enfrentamos desigualdade de oportunidades, menor representatividade em cargos de liderança e a necessidade constante de provar competência técnica.”
O que a impressiona no MapBiomas: “Ver como a iniciativa cresceu ao longo dos anos, com cada vez mais lideranças femininas e uma preocupação concreta com a representatividade das mulheres na ciência e na tecnologia.”
