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Evento na USP apresenta novos dados do MapBiomas sobre urbanização, favelas e risco climático

Plateia assiste a evento do MapBiomas na USP; no Dia da Favela, relatório mostra que área urbanizada em favelas cresceu mais de 150% entre 1985 e 2025, acima da expansão urbana como um todo no país Foto: Alessandro Meiguins

O MapBiomas apresentou nesta quarta-feira (4), no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), os novos dados do Módulo Urbano e do Módulo de Risco Climático, ligados à Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil. Aberto ao público, o evento “Cidades em Transformação: novos dados do MapBiomas sobre urbanização e risco climático” ocorreu no Dia da Favela e mostrou que a área urbanizada em favelas passou de 60,2 mil hectares em 1985 para 151,7 mil hectares em 2025 (alta de 152%). Já a expansão urbana do país como um todo foi de 132% no período, saltando de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares.

“O MapBiomas gera dados e quem gera impacto é quem utiliza os dados que fornecemos. É uma provocação para que todos possam fazer uso de nossa base pública e aberta para suas aplicações”, comenta Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.

As favelas estão presentes em 651 municípios brasileiros (11,7% do total). Da área urbanizada em favelas existente em 2025, 60,3% surgiram depois de 1985. Das 12,3 mil favelas brasileiras, 9.895 já apresentavam área urbanizada em 1985, e 42,4% delas pelo menos dobraram de tamanho até 2025. A participação dessas comunidades na área urbanizada total passou de 3,2% para 3,4% no período. Essa proporção aumentou em 19 das 27 unidades da Federação.

Com 9,4% da área urbanizada do país, a região Norte reúne 27,9% da área urbanizada em favelas do Brasil. Manaus é o município que tem a maior área urbanizada em favelas, com 10,5 mil hectares distribuídos em 235 comunidades. São Paulo tem quase seis vezes mais favelas em números absolutos (1.359), mas elas somam uma área urbanizada menor, de 6 mil hectares.

Os dados apresentados no evento mostraram que, em 2025, o Brasil tinha 100.635 hectares de áreas urbanizadas suscetíveis a deslizamentos, dos quais 71,7% estavam na classe de suscetibilidade muito alta. A Mata Atlântica foi o bioma que concentrou a maior área nessa classe (65.039 ha). O maior crescimento ocorreu entre 1990–1999 e 2000–2009, de 21,4%. Entre 2010–2019 e 2020–2025, o aumento foi de 11,1%. Minas Gerais é o estado com maior área  em suscetibilidade muito alta (19.133 hectares), 60% a mais que o Rio de Janeiro (11.982 ha). Somados, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo chegaram a 48.801 hectares.

No caso das inundações, a área urbanizada suscetível quase dobrou no país, passando de 93 mil hectares em 1985–1989 para 174 mil hectares em 2020–2025. O ritmo de crescimento, porém, diminuiu: foi de 21,8% entre 1985–89 e 1990–99 e de 9,9% entre 2010–2019 e 2020–2025. Na Mata Atlântica, 54% da área urbanizada suscetível a inundação estava na classe muito alta, o equivalente a 46.489 hectares em 2025. Proporcionalmente, o Pampa é o bioma com o maior percentual (59% de área urbanizada suscetível a inundação, ou 8.186 hectares).

Entre os estados, Santa Catarina teve a maior área urbanizada em suscetibilidade muito alta a inundação (14.451 ha). Com o Rio Grande do Sul, os dois estados somaram 26.185 hectares nessa condição.

No recorte específico das favelas, 2.207 (17,8% do total) dessas comunidades tinham parte de sua área urbanizada em suscetibilidade muito alta a inundações. A média anual de área urbanizada em favelas nessa condição passou de 3.741 hectares em 1985–1989 para 8.111 hectares em 2020–2025, uma alta de 117%. O Pará teve a maior área, com 2.059 hectares. Somados a Amazonas, Amapá e Acre, os quatro estados amazônicos concentraram 52% da área urbanizada em favelas com suscetibilidade muito alta a inundações. No Amapá, 92% da área urbanizada em favelas estavam nessa classe.

Nos deslizamentos, o crescimento foi menor. A média anual de área urbanizada em favelas com suscetibilidade muito alta passou de 3.974 hectares em 1985–1989 para 4.456 hectares em 2020–2025, um aumento de 12%. Em 2025, 1.796 favelas tinham área urbanizada nessa condição, e em 192 delas mais da metade da área estava na classe muito alta. O Rio de Janeiro registrou a maior área (781 ha). O Espírito Santo teve a maior proporção, com 44% da área urbanizada em favelas em suscetibilidade muito alta. Os quatro estados do Sudeste concentraram 60% da área urbanizada em favelas nessa classe.

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Vegetação intraurbana
A vegetação intraurbana, que fica dentro da área urbanizada, mais que dobrou no Brasil entre 1985 e 2025: passou de 78 mil para 196 mil hectares, um aumento de 2,5 vezes. Em 2025, ela representava 2,3% da área total considerada, que soma a área urbanizada sem vegetação e as vegetações intraurbana e periurbana. No mesmo período, a vegetação periurbana caiu 38%, de 6,39 milhões para 3,95 milhões de hectares, e a vegetação urbana total recuou 36%, de 6,5 milhões para 4,1 milhões de hectares. A Amazônia foi o único bioma em que a vegetação intraurbana diminuiu, com perda de 4,2 mil hectares (−23%).

Em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação intraurbana por hectare urbanizado do que as demais áreas urbanas do país. Em 2025, essa relação já tinha se invertido: a disponibilidade nas favelas passou a ser 15% menor do que nas demais áreas urbanizadas.

Entre 1985 e 2025, nas favelas, a área urbanizada sem vegetação cresceu 2,6 vezes, e a vegetação intraurbana, 1,7 vez. Fora delas, a área sem vegetação cresceu 2,3 vezes, e a vegetação intraurbana, 2,6 vezes. Em 13,3% dos municípios com favelas, a área de favelas perdeu pelo menos 10% da vegetação intraurbana que tinha em 1985. Fora das favelas, isso ocorreu em 8,1% dos municípios.

Luz artificial noturna
O Módulo Urbano também mostrou que 99,3% do território brasileiro não tinham luz artificial noturna detectável por satélite em 2025. A área com luz somou 6,3 milhões de hectares, 37% a mais que em 2013. Foi um acréscimo de 1,7 milhão de hectares, o equivalente a 11 vezes a área do município de São Paulo. Esse ganho foi 2,5 vezes maior que o da área urbanizada no mesmo período (680 mil hectares), e a área com luz cresceu proporcionalmente mais que a área urbanizada em todos os biomas. Entre as categorias de intensidade, a muito alta teve o maior aumento, de 57%. 

Com 11% do território nacional, o Sudeste concentrou 40% da área com luz artificial noturna. O Norte, que ocupa 45% do território, representa 8% da área com iluminação artificial. Minas Gerais (+256 mil hectares) e São Paulo (+238 mil hectares) somaram 29% da expansão registrada entre 2013 e 2025. Mato Grosso teve o maior aumento relativo entre as unidades da Federação, de 97%. Entre os biomas, a Mata Atlântica teve a maior área com luz, 3,5 milhões de hectares em 2025 (3,2% do bioma), e a Caatinga, o maior crescimento relativo, de 59%. O Pantanal teve a menor área (7 mil hectares) e a menor proporção do bioma com luz (0,06%).

Ilhas de calor
Uma das novidades apresentadas no evento foi o mapeamento das ilhas de calor urbanas. Os dados mostram quanto a superfície da cidade fica mais quente que o entorno da região urbanizada e classificam cada setor censitário (recorte territorial determinado pelo IBGE) em relação à média do município. Eles cobrem o verão e o inverno em uma amostra de quatro anos a partir de 2021. No verão, a superfície das áreas urbanizadas do país ficou em média 2,73°C mais quente que as áreas não urbanizadas do entorno. Em cerca de um quarto dos setores censitários urbanos, essa diferença passou de 7 °C.

A cobertura vegetal pesa na intensidade das ilhas de calor. Nos setores censitários urbanos com até 10% de vegetação, a intensidade média chegou a 5 °C no verão. Nos setores com 80% de vegetação, a diferença caiu para 1,1 °C.