
Pesquisadores da Caatinga se reuniram nesta sexta-feira (18) para o II Encontro de Especialistas da Caatinga, sob o tema “Futuro da Caatinga: desafios e estratégias de conservação frente às mudanças climáticas”. O evento ocorreu no Complexo Multieventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro (BA).
O workshop foi feito juntamente com a IX Reunião Nordestina de Ciência do Solo (RNCS) e o VII Simpósio de Mudança Climática e Desertificação (SMUD), com o tema “Solos do Futuro: bioinsumos, inteligência artificial e eficiência produtiva”.
Nesta segunda edição, os participantes focaram a avaliação das novidades e avanços metodológicos da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra entre 1985 e 2025 do MapBiomas para o bioma Caatinga. Uma delas foi a inclusão da nova classe Parques Eólicos, que apresenta de forma inédita toda a infraestrutura para geração de energia eólica instalada no Brasil desde 2016. O bioma é hoje o centro da expansão energética nacional, concentrando 63% das áreas de usinas fotovoltaicas (27,2 mil hectares) e 85% das áreas ocupadas por parques eólicos (24,4 mil hectares).
Dados da Coleção 11 indicam que 14,1 milhões de hectares passaram de vegetação nativa para uso agropecuário (58,9% das transições no período) de 1985 a 2025. Por outro lado, 4,4 milhões de hectares indicam regeneração. A Caatinga ocupa 10,1% do território nacional (86 milhões de hectares), com 62% de cobertura nativa preservada.
O encontro também marcou a criação da ReCaat (Rede Caatinga e do Repositório da Caatinga). “O objetivo será combater a fragmentação das pesquisas sobre a Caatinga e fomentar o desenvolvimento de soluções aplicadas ao bioma” comenta o professor Washington Rocha, coordenador da equipe da Caatinga do MapBiomas.
Neste sábado (19), os especialistas farão visita guiada a campo na região de Curaçá, a cerca de 100 km de Juazeiro, onde ocorre a nova classe mapeada apenas no bioma de Vegetação Herbácea e Arbustiva. Eles também conhecerão as iniciativas locais e projetos de “recaatingamento”, além de fazerem validação de dados de monitoramento.