
Dinâmica de ganho e perda da vegetação secundária, monitorada pelo MapBiomas, tem apontado para gradual redução dessa formação no Cerrado
Segundo maior bioma do Brasil, o Cerrado registrou, entre 2017 e 2025, uma área de vegetação secundária perdida 19,9% maior do que no período de 2007 a 2016 , como apontam dados consolidados pela rede MapBiomas e apresentados nesta sexta, 11 de setembro, quando se comemora o Dia do Cerrado.
Em 2025, a vegetação secundária respondia por 7,5 milhões de hectares no bioma, o equivalente a 8% da cobertura remanescente. Vegetação secundária é a área que já foi desmatada e se encontra em processo de recuperação da cobertura nativa.
A dinâmica de ganho e perda da vegetação secundária tem apontado para uma gradual redução dessa formação no Cerrado. De 1987 (ano em que começa essa série histórica do MapBiomas) até 1996, o balanço líquido –ou seja, a diferença entre ganho e perda– foi de 3,4 milhões de hectares. No período 1997-2006, ficou em 2,2 milhões de hectares; de 2007 a 2016, passou para 1,9 milhão de hectares. Agora, no consolidado de 2017 a 2025, caiu para 0,5 milhão de hectares, com ganho de 3,2 milhões e perda de 2,7 milhões.
Dos 1.425 municípios cobertos pelo Cerrado, 67 perderam pelo menos mil hectares a mais de vegetação secundária do que ganharam no período 2017-2025. A maior parte desses municípios está localizada na região do Matopiba, que abrange parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Os três municípios com a maior perda líquida de vegetação secundária, todos na Bahia, estão justamente no Matopiba. São eles: Barreiras, Jaborandi e Baixa Grande do Ribeiro. Na outra ponta, os três com maior ganho líquido de vegetação secundária nesse período mais recente foram Cocalinho (MT), Paranã (TO) e Arinos (MG).

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A idade da vegetação secundária indica por quantos anos a área permaneceu como vegetação secundária antes de ser perdida. No Cerrado, 41,7% (ou 3,3 milhões de hectares) de vegetação secundária foram desmatados com até 5 anos de formação. A perda de áreas jovens interrompe o processo de recuperação antes que a vegetação avance para estágios mais desenvolvidos,
“A idade permite olhar para a vegetação secundária não apenas como uma área que voltou a ter cobertura nativa, mas como uma trajetória ao longo do tempo. Os dados para o Cerrado mostram que uma parcela dessas áreas permanece como vegetação secundária por poucos anos antes de ser novamente perdida, enquanto outras persistem por mais de uma década. Essa diferença ajuda a entender a dinâmica de permanência e transformação da vegetação nativa no Cerrado”, afirma Bárbara Costa, analista de pesquisa do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e da rede MapBiomas.
Nota informativa
Os dados de perda de vegetação nativa e vegetação secundária consideram a trajetória da cobertura e uso da terra e a
persistência das transições ao longo dos anos. Assim, 1985 e 1986 são usados para validar o início da série, e os eventos são contabilizados a partir de 1987. A vegetação nativa presente desde o início da série é considerada primária; quando retorna após uma trajetória de uso antrópico, é classificada como secundária. O balanço líquido considera a diferença entre ganhos e perdas de vegetação secundária. A classe de -1.000 a +1.000 ha inclui balanços negativos e positivos de pequena magnitude; portanto, não indica ausência de perda
Fonte: MapBiomas – Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil (1985–2025) e mapas anuais de vegetação secundária do Brasil (1987–2025)