{"id":8740,"date":"2026-05-13T10:24:54","date_gmt":"2026-05-13T13:24:54","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=8740"},"modified":"2026-05-13T14:02:29","modified_gmt":"2026-05-13T17:02:29","slug":"fragmentacao-da-vegetacao-nativa-no-brasil-cresceu-260-em-38-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/2026\/05\/13\/fragmentacao-da-vegetacao-nativa-no-brasil-cresceu-260-em-38-anos\/","title":{"rendered":"Fragmenta\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil cresceu 163% em 38 anos"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/05\/capa.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8741\" width=\"631\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/05\/capa.png 997w, https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/05\/capa-300x222.png 300w, https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/05\/capa-768x568.png 768w, https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/05\/capa-16x12.png 16w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, os pesquisadores do MapBiomas calcularam a <strong><strong>quantidade de fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil<\/strong>: eles passaram de 2,7 milh\u00f5es em 1986 para 7,1 milh\u00f5es em 2023. O <strong>crescimento de 163% em 38 anos <\/strong>sugere que a vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil est\u00e1 mais exposta \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o. Os dados in\u00e9ditos s\u00e3o do m\u00f3dulo de Degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas, rec\u00e9m-atualizado e dispon\u00edvel gratuitamente na plataforma<a href=\"https:\/\/plataforma.brasil.mapbiomas.org\/\"> <em>https:\/\/plataforma.brasil.mapbiomas.org\/<\/em><\/a>.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o m\u00f3dulo de Degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas apresenta todos os tamanhos de fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no territ\u00f3rio nacional, quantificados a partir de meio hectare. Cada fragmento pode conter um ou mais de um tipo de vegeta\u00e7\u00e3o nativa dentre as classes mapeadas pelo MapBiomas na Cole\u00e7\u00e3o 10.1, incluindo forma\u00e7\u00e3o florestal, forma\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica, forma\u00e7\u00e3o campestre, campo alagado e \u00e1rea pantanosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo pelo qual \u00e1reas originalmente cont\u00ednuas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa s\u00e3o divididas em por\u00e7\u00f5es remanescentes cada vez menores e mais isoladas por conta do desmatamento, seja para fins de expans\u00e3o agropecu\u00e1ria, de urbaniza\u00e7\u00e3o, de abertura de estradas ou outras finalidades. Os efeitos negativos do desmatamento s\u00e3o ainda maiores quando as \u00e1reas remanescentes&nbsp; ficam muito fragmentadas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cQuanto menor for o tamanho dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, maior ser\u00e1 a suscetibilidade \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador do m\u00f3dulo de degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas. \u201cO tamanho dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa tem rela\u00e7\u00e3o direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, mais problemas aparecem: aumenta&nbsp; o risco de extin\u00e7\u00f5es locais dessas esp\u00e9cies, diminui a chance&nbsp; de recoloniza\u00e7\u00e3o por indiv\u00edduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o do efeito de borda. Em suma, esses fragmentos v\u00e3o perdendo a diversidade de esp\u00e9cies\u201d, detalha.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta an\u00e1lise gerou outro indicativo do avan\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o no pa\u00eds: o tamanho m\u00e9dio dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. <strong>Se em 1986 a \u00e1rea m\u00e9dia de um fragmento era de 241 hectares, em 2023 esse n\u00famero reduziu para 77 hectares,<\/strong> uma queda de 68% no per\u00edodo avaliado. At\u00e9 5% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil (26,7 milh\u00f5es de hectares) est\u00e1 em pequenos fragmentos, menores que 250 hectares, com destaque para a Mata Atl\u00e2ntica, onde essa condi\u00e7\u00e3o atinge at\u00e9 28% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa remanescente (10 milh\u00f5es de hectares).<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os biomas apresentaram aumento no n\u00famero de fragmentos nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas (1986-2023). O Pantanal e a Amaz\u00f4nia foram os biomas com maior aumento da&nbsp;fragmenta\u00e7\u00e3o, com 350% e 332%, respectivamente. Seguidos do Pampa com 285%, Cerrado com 172%, Caatinga com 90% e Mata Atl\u00e2ntica com 68%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p><strong>Mata Atl\u00e2ntica e Cerrado s\u00e3o os biomas com maior n\u00famero absoluto de fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa:<\/strong> aproximadamente 2,7 milh\u00f5es cada. \u201cEnquanto no Cerrado o aumento no n\u00famero de fragmentos est\u00e1 associado ao avan\u00e7o do desmatamento e \u00e0 divis\u00e3o de grandes remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00e1reas&nbsp; menores, na Mata Atl\u00e2ntica, parte desse aumento tamb\u00e9m pode ser explicada por um processo no sentido oposto ao desmatamento, ou seja, pelo surgimento de m\u00faltiplas \u00e1reas de recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria\u201d, pondera Natalia Crusco, coordenadora t\u00e9cnica da Mata Atl\u00e2ntica no MapBiomas.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>A Amaz\u00f4nia destaca-se pela redu\u00e7\u00e3o no tamanho m\u00e9dio dos fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa<\/strong>: de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, uma redu\u00e7\u00e3o de 82%. Queda semelhante (80%) pode ser observada no Pantanal, que passou de fragmentos com \u00e1rea m\u00e9dia de 1.394 hectares em 1986 para 278 hectares em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Vegeta\u00e7\u00e3o nativa est\u00e1 mais exposta \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 24% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil est\u00e1 exposta a pelo menos um vetor de degrada\u00e7\u00e3o, segundo os dados dispon\u00edveis na plataforma. <strong>S\u00e3o at\u00e9 134 milh\u00f5es de hectares da vegeta\u00e7\u00e3o nativa remanescente no pa\u00eds potencialmente expostos<\/strong> a fatores como fragmenta\u00e7\u00e3o, \u00e1rea de borda, fogo, vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria e corte seletivo, entre outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Mata Atl\u00e2ntica, at\u00e9 72% de toda a vegeta\u00e7\u00e3o nativa (23,4 milh\u00f5es de hectares) est\u00e1 exposta \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o. O Pampa vem em segundo lugar, com at\u00e9 47% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa remanescente (4,2 milh\u00f5es de hectares) exposta a algum dos vetores de degrada\u00e7\u00e3o mapeados. Com at\u00e9 42% da vegeta\u00e7\u00e3o remanescente exposta \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o (42,6 milh\u00f5es de hectares), o Cerrado \u00e9 o bioma mais afetado em \u00e1rea absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Amaz\u00f4nia Legal: dist\u00farbio de dossel e corte seletivo de madeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O dossel \u00e9 a camada superior da floresta, formada pela continuidade das copas das \u00e1rvores mais altas. Quando essa camada sofre altera\u00e7\u00f5es, seja por secas, ventos, inc\u00eandios, corte seletivo de madeira, efeito de borda ou outras perturba\u00e7\u00f5es, abre-se no local uma clareira, rompendo a continuidade original da floresta, que recebe o nome de dist\u00farbio de dossel. <strong>Uma das novidades no m\u00f3dulo de Degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas foi o mapeamento desses dist\u00farbios de dossel na floresta, <\/strong>considerando as classes que incluem a forma\u00e7\u00e3o florestal e a floresta alag\u00e1vel da Cole\u00e7\u00e3o 10.1 do MapBiomas, na Amaz\u00f4nia Legal entre 1988 e 2024. Nesse per\u00edodo, em pelo menos 7% da cobertura de floresta na Amaz\u00f4nia Legal (24,9 milh\u00f5es de hectares) houve detec\u00e7\u00e3o de algum sinal de dist\u00farbio de dossel por pelo menos um m\u00eas. No ano de 2016, foi detectada a maior \u00e1rea mapeada desse dist\u00farbio, com 4 milh\u00f5es de hectares.<strong> <\/strong>Entre 2019 e 2024, a \u00e1rea afetada por esses dist\u00farbios foi de 2,1 milh\u00f5es de hectares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\" style=\"font-size:15px\"><blockquote><p>Na floresta alag\u00e1vel, aquela situada nas margens de cursos d\u2019\u00e1gua sujeitas a inunda\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, os maiores registros de dist\u00farbio de dossel coincidiram com anos de seca intensa, como 2016, 2023 e 2024. &#8220;A previs\u00e3o de ocorr\u00eancia de El Ni\u00f1o para este ano indica condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para novas secas na regi\u00e3o, o que tende a facilitar a ocorr\u00eancia desses&nbsp; dist\u00farbios nesse tipo de floresta&#8221;, alerta Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas na equipe da Amaz\u00f4nia.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O corte seletivo de madeira \u00e9 uma das principais causas de dist\u00farbio de dossel na Amaz\u00f4nia Legal.<\/strong> O MapBiomas identificou 9,7 milh\u00f5es de hectares com ind\u00edcios de corte seletivo entre 1988 e 2024. Essa atividade est\u00e1 concentrada: 83,5% do total ocorre no Mato Grosso e no Par\u00e1, e seis dos dez munic\u00edpios com maior explora\u00e7\u00e3o est\u00e3o no Mato Grosso em 2024. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Dados que orientam conserva\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00f3dulo de Degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas foi desenvolvido para apoiar decis\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da biodiversidade no pa\u00eds. <strong>O Brasil tem como meta restaurar 12 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa at\u00e9 2030<\/strong>, compromisso assumido no \u00e2mbito do Planaveg e refor\u00e7ado em acordos internacionais como o Acordo de Paris, o Desafio de Bonn e a Iniciativa 20X20.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O monitoramento da degrada\u00e7\u00e3o complementa o monitoramento do desmatamento. A import\u00e2ncia desse monitoramento se justifica pelo fato de que a degrada\u00e7\u00e3o de um remanescente de vegeta\u00e7\u00e3o nativa muitas vezes pode ser minimizada ou revertida. Por\u00e9m, se as causas da degrada\u00e7\u00e3o n\u00e3o forem interrompidas, a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica natural das \u00e1reas afetadas pode ficar muito comprometida&#8221;, destaca Eduardo V\u00e9lez, pesquisador do MapBiomas na equipe do Pampa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A plataforma do MapBiomas permite an\u00e1lises por territ\u00f3rios como pa\u00eds, estado, munic\u00edpio, bacia hidrogr\u00e1fica, \u00e1reas protegidas, entre outros \u2014 oferecendo subs\u00eddios para gestores p\u00fablicos, pesquisadores, organiza\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e setor privado. &#8220;O m\u00f3dulo de Degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas \u00e9 uma ferramenta estrat\u00e9gica de apoio \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no pa\u00eds&#8221;, complementa Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>O que \u00e9 degrada\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de desmatamento. No desmatamento, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente removida e a \u00e1rea originalmente vegetada fica descoberta, sendo convertida para algum tipo de uso antr\u00f3pico, como a agricultura, por exemplo. Na degrada\u00e7\u00e3o, a vegeta\u00e7\u00e3o nativa permanece no local, mas sob a a\u00e7\u00e3o de fatores que a tornam menos saud\u00e1vel, menos resiliente e com menor diversidade de esp\u00e9cies.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os vetores de degrada\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa disponibilizados atualmente na segunda vers\u00e3o do m\u00f3dulo de Degrada\u00e7\u00e3o do MapBiomas incluem o tamanho e isolamento dos fragmentos, a \u00e1rea e idade das bordas, a frequ\u00eancia do fogo, o tempo desde a \u00faltima queimada, o corte seletivo, o dist\u00farbio de dossel e a idade da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, os pesquisadores do MapBiomas calcularam a quantidade de fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil: eles passaram de 2,7 milh\u00f5es em 1986 para 7,1 milh\u00f5es em 2023. 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