{"id":8065,"date":"2025-11-12T11:32:22","date_gmt":"2025-11-12T14:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=8065"},"modified":"2025-11-12T11:32:23","modified_gmt":"2025-11-12T14:32:23","slug":"pantanal-tem-reducao-de-75-na-frequencia-anual-de-areas-alagadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/2025\/11\/12\/pantanal-tem-reducao-de-75-na-frequencia-anual-de-areas-alagadas\/","title":{"rendered":"Pantanal tem redu\u00e7\u00e3o de 75% na frequ\u00eancia anual de \u00e1reas alagadas"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>Perda de cobertura vegetal no Planalto da Bacia do Alto Paraguai agrava a seca no bioma<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">12 de novembro de 2025<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Pantanal, a maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do mundo, vive o per\u00edodo mais seco das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. O levantamento, feito pelo MapBiomas a partir da Cole\u00e7\u00e3o 10 de mapas de cobertura e uso da terra no Brasil, cobrindo o per\u00edodo de 1985 a 2024, revela que a \u00e1rea anual que permanece alagada no bioma diminuiu 75%, passando de 1,6 milh\u00e3o de hectares na primeira d\u00e9cada (1985-1994) para 460 mil hectares na \u00faltima (2014-2024). O ano de 2024 foi o mais seco de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica; a \u00e1rea alagada ficou 73% abaixo da m\u00e9dia. A \u00faltima grande cheia, registrada em 2018, foi 22% mais seca do que a primeira grande cheia da s\u00e9rie, em 1988. O bioma tem enfrentado per\u00edodos de cheias menores e secas mais severas a cada d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as na Plan\u00edcie Pantaneira se correlacionam com as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no Planalto da Bacia do Alto Paraguai (BAP), onde nascem os rios que abastecem o Pantanal. A BAP abrange \u00e1reas de Mato Grosso (48% da BAP, 17,4 milh\u00f5es de hectares, representando 19% do estado) e Mato Grosso do Sul (52% da BAP, 18,6 milh\u00f5es de hectares, representando 53% do estado). O bioma Pantanal corresponde \u00e0 Plan\u00edcie, enquanto o Planalto \u00e9 dividido entre o Cerrado (83%) e a Amaz\u00f4nia (17%).<\/p>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es da cobertura vegetal foram mais intensas no Planalto, o que impacta diretamente no fluxo h\u00eddrico entre Planalto e Plan\u00edcie. A \u00e1rea natural do Planalto caiu de 72% para 46% em Mato Grosso e de 59% para 36% em Mato Grosso do Sul, o que representa uma perda total de 5,2 milh\u00f5es de hectares (37%) de vegeta\u00e7\u00e3o nativa entre 1985 e 2024. No mesmo per\u00edodo e no Planalto, a agricultura aumentou 3,8 vezes (1,4 milh\u00e3o de hectares), com a soja representando 80% das \u00e1reas agr\u00edcolas. A pastagem aumentou 4,4 milh\u00f5es de hectares sobre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, intensificando as \u00e1reas antr\u00f3picas no Planalto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">\u201c<em>As varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e precipita\u00e7\u00e3o na BAP determinam o pulso anual de cheias no Pantanal. A perda de Florestas e Savanas fragiliza a prote\u00e7\u00e3o dos solos nas cabeceiras do bioma, o que interfere no fluxo de \u00e1gua que chega na Plan\u00edcie. Em 1985, 33% do Planalto, ou sete milh\u00f5es de hectares, j\u00e1 eram de uso antr\u00f3pico. Em 2024, praticamente 60% do Planalto \u00e9 antropizado<\/em>\u201d, explica Eduardo Reis Rosa, coordenador da equipe Pantanal do MapBiomas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o das pastagens no Planalto tamb\u00e9m \u00e9 um fator agravante que chama a aten\u00e7\u00e3o. Em 2024, 63% das pastagens apresentavam baixo ou m\u00e9dio vigor vegetativo. Do total de 8,6 milh\u00f5es de hectares de pastagem no Planalto, a por\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia (2.068.850 hectares) apresenta 52% de baixo vigor e 40% de m\u00e9dio vigor, enquanto a por\u00e7\u00e3o no Cerrado (6.620.165 hectares) tem 14% de baixo vigor e 41% de m\u00e9dio vigor.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Plan\u00edcie Pantaneira, as mudan\u00e7as tamb\u00e9m foram significativas. A \u00e1rea natural caiu de 96% para 84% entre 1985 e 2024, com uma perda total de 1,7 milh\u00e3o de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, sendo 0,7 milh\u00e3o de hectares na por\u00e7\u00e3o em Mato Grosso (onde a \u00e1rea natural caiu de 96% para 84%) e 1,1 milh\u00e3o de hectares na por\u00e7\u00e3o em Mato Grosso do Sul (onde a \u00e1rea natural caiu de 96% para 85%).<\/p>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para pastagem foi de&nbsp; 1,7 milh\u00e3o de hectares em 40 anos no Pantanal. A pastagem passou de 563 mil hectares em 1985 para 2,2 milh\u00f5es de hectares em 2024. O dado de condi\u00e7\u00e3o de vigor das pastagens mostra que em 2024, 85% das pastagens da Plan\u00edcie tinham baixo ou m\u00e9dio vigor vegetativo. A minera\u00e7\u00e3o foi a atividade antr\u00f3pica que mais cresceu proporcionalmente na \u00faltima d\u00e9cada no Pantanal, com um aumento de 60%.<\/p>\n\n\n\n<p>No conjunto da Bacia do Alto Paraguai, as \u00e1reas agropecu\u00e1rias aumentaram de 21% em 1985 para 40% em 2024, somando 7,5 milh\u00f5es de hectares convertidos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em quatro d\u00e9cadas. Desse total, 84% (12 milh\u00f5es de hectares) da agropecu\u00e1ria est\u00e3o no Planalto e 16% (2,3 milh\u00f5es de hectares) na Plan\u00edcie.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise por d\u00e9cadas detalha a din\u00e2mica na Plan\u00edcie e no Planalto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u20221985\u20131994: A maior convers\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica para pastagem&nbsp; ocorreu nesta d\u00e9cada. A pastagem dobrou a \u00e1rea existente (592 mil hectares). Foram convertidos 341 mil hectares de forma\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica, 166 mil hectares de forma\u00e7\u00e3o florestal, 57 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o campestre e 28 mil hectares de campo alagado. O Planalto perdeu 12% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa (2,6 milh\u00f5es de hectares).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u20221995\u20132004: O desmatamento avan\u00e7ou para o interior do bioma Pantanal, com perda de 527 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o que representa perda de 3% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no bioma. No Planalto, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa foi de 9%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u20222005\u20132014: Foi observado pela primeira vez a redu\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia de alagamentos e o adensamento lenhoso, com 350 mil hectares de forma\u00e7\u00f5es sav\u00e2nicas se expandindo sobre campos e pastagens. As perdas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa proporcional, na Plan\u00edcie e no Planalto, foram de 1,5% em cada regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u20222015\u20132024: A d\u00e9cada mais seca, com a redu\u00e7\u00e3o de 1,2 milh\u00e3o de hectares (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira d\u00e9cada) na \u00e1rea anual que permanece alagada na Plan\u00edcie. Nesta \u00faltima d\u00e9cada, a Plan\u00edcie Pantaneira perdeu mais vegeta\u00e7\u00e3o nativa (450 mil hectares) do que o Planalto, que mant\u00e9m, em 2024, 42% de \u00e1reas naturais, enquanto o Pantanal tem 84% do bioma com \u00e1reas naturais.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perda de cobertura vegetal no Planalto da Bacia do Alto Paraguai agrava a seca no bioma 12 de novembro de 2025 O Pantanal, a maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do mundo, vive o per\u00edodo mais seco das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. 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