{"id":6712,"date":"2025-04-29T09:03:53","date_gmt":"2025-04-29T12:03:53","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=6712"},"modified":"2026-03-16T14:02:19","modified_gmt":"2026-03-16T17:02:19","slug":"mataatlantica-e-caatinga-concentram-maior-numero-de-sitios-arqueologicos-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/2025\/04\/29\/mataatlantica-e-caatinga-concentram-maior-numero-de-sitios-arqueologicos-do-brasil\/","title":{"rendered":"Mata Atl\u00e2ntica e Caatinga concentram maior n\u00famero de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos do Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Bahia lidera em n\u00famero de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos cadastrados, seguida por Paran\u00e1 e Minas Gerais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>lan\u00e7ada em 29 de abril de 2025, atualizada em 12 de mar\u00e7o de 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil possui atualmente 27.974 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos oficialmente cadastrados e georreferenciados pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN), com destaque para os biomas Mata Atl\u00e2ntica e Caatinga, que concentram os maiores n\u00fameros. A Mata Atl\u00e2ntica lidera com 10.197 s\u00edtios \u2014 mais de um ter\u00e7o do total nacional \u2014, seguida pela Caatinga, com 7.004 s\u00edtios e o Cerrado, com 4.914. A Amaz\u00f4nia abriga 4.832 s\u00edtios, enquanto o Pampa tem 904 e o Pantanal, 123. Entre os estados, a Bahia lidera em n\u00famero de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos cadastrados (2.718), seguida por Paran\u00e1 (2.363) e Minas Gerais (2.029).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De forma in\u00e9dita, esses s\u00edtios arqueol\u00f3gicos cadastrados est\u00e3o dispon\u00edveis na plataforma do MapBiomas e permitem analisar as mudan\u00e7as na cobertura e uso da terra no entorno dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u00c9 poss\u00edvel analisar esses dados no entorno dos s\u00edtios com diferentes dist\u00e2ncias: 100m, 200m, 500m e 1000m, e identificar suas diferen\u00e7as ao longo dos anos. Em 1985, pouco mais da metade (53,5%) da \u00e1rea no entorno de 100m dos s\u00edtios estavam em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, como florestas, savanas e campos naturais, e 41,7% em \u00e1reas antr\u00f3picas. Em 2023, esse cen\u00e1rio se inverteu: apenas 41,5% permanecem envoltos por \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, enquanto 49,6% j\u00e1 se encontram em \u00e1reas j\u00e1 desmatadas e ocupadas por usos antr\u00f3picos tais como pastagens, agricultura e \u00e1reas urbanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados tamb\u00e9m mostram mudan\u00e7as no uso da terra ao redor dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos no pa\u00eds. Em 1985, as florestas predominavam (43,2%), enquanto a agropecu\u00e1ria ocupava 38%. J\u00e1 em 2023, a agropecu\u00e1ria passou a ocupar a maior parcela, com 43,1%, e a cobertura florestal no entorno dos s\u00edtios caiu para 32,5%. Tamb\u00e9m houve um aumento de \u00e1rea de superf\u00edcie de \u00e1gua no entorno dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, em 1985 eram 4,9% da \u00e1rea e em 2023, 8,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApesar da ocupa\u00e7\u00e3o humana hist\u00f3rica desses s\u00edtios, agora podemos analisar as mudan\u00e7as e os impactos da ocupa\u00e7\u00e3o recente sobre essas \u00e1reas. A identifica\u00e7\u00e3o desses s\u00edtios arqueol\u00f3gicos pode estar relacionada a pesquisas, obras de infraestrutura, como estradas, ou podem ter sido descobertos depois que essas \u00e1reas foram desmatadas. Al\u00e9m disso, ainda existem outros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos que ainda n\u00e3o foram identificados\u201d, explica Julia Shimbo, coordenadora cient\u00edfica do MapBiomas e pesquisadora do IPAM.<\/p>\n\n\n\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o bioma com maior propor\u00e7\u00e3o de s\u00edtios em \u00e1reas antr\u00f3picas (63%), seguida da Amaz\u00f4nia (47,5%), Cerrado (41,1%), Caatinga (39,9%), Pampa (33,2%) e Pantanal (18,5%). A Amaz\u00f4nia, inclusive, apresentou o maior aumento proporcional de \u00e1reas antr\u00f3picas no entorno dos s\u00edtios, passando de 19% em 1985 para 47,5% em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO crescimento de atividades antr\u00f3picas ao redor dos s\u00edtios refor\u00e7a a import\u00e2ncia de pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico brasileiro, especialmente frente \u00e0s crescentes press\u00f5es sobre os biomas\u201d comenta Marina Hirota, cientista e professora da UFSC e do BrazilLAB\/Princeton, que colaborou com esses dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 presen\u00e7a de \u00e1reas antr\u00f3picas no entorno dos s\u00edtios nos estados, o Acre \u00e9 o estado com maior percentual (89,2%), seguido por Rio de Janeiro (76,1%) e Esp\u00edrito Santo (75,4%). Em contrapartida, Roraima lidera em s\u00edtios com maiores \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa nos arredores (87,6%), seguido por Piau\u00ed (78,7%) e Amap\u00e1 (69,4%). Acre, Rond\u00f4nia e Par\u00e1 foram os estados com maior perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ao redor dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. No Acre, a \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no entorno de 100m dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos diminuiu de 70% em 1985 para 10% em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O cruzamento e a disponibiliza\u00e7\u00e3o destes dados abertos ao p\u00fablico ajudam a entender onde estes s\u00edtios est\u00e3o localizados, se \u00e9 numa \u00e1rea impactada por atividades humanas ou n\u00e3o, e tamb\u00e9m pode apontar para uma tend\u00eancia de aumento de atividades antr\u00f3picas em alguma determinada regi\u00e3o e a extens\u00e3o desse aumento, o que pode nos gerar um alerta. Quando um s\u00edtio arqueol\u00f3gico est\u00e1 localizado em uma \u00e1rea antropizada, uma s\u00e9rie de preocupa\u00e7\u00f5es com a sua preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o devem ser observadas, e esse levantamento pode apontar para os locais onde devemos prestar mais aten\u00e7\u00e3o, ou tratar de maneira priorizada&#8221;, explica Thiago Berlanga Trindade, chefe do Servi\u00e7o de Registro e Cadastro de Dados &#8211; SREC do CNA\/IPHAN.<\/p>\n\n\n\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos tamb\u00e9m foi cruzada com os alertas de desmatamento disponibilizados no MapBiomas Alerta. Entre o total de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, 122 tiveram alertas de desmatamento entre 2019 e 2024. A Caatinga foi o bioma com maior n\u00famero de alertas (45), seguido do Cerrado (29), da Mata Atl\u00e2ntica (31) e da Amaz\u00f4nia (17). Os estados com maior n\u00famero de alertas s\u00e3o Rio Grande do Norte (25), Paran\u00e1 (19), Bahia (15), Tocantins (12) e Par\u00e1 (9).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA identifica\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos dentro de alertas de desmatamento permite analisar os s\u00edtios que foram descobertos e cadastrados durante o processo recente de ocupa\u00e7\u00e3o e os que j\u00e1 haviam sido identificados anteriormente \u2014 distin\u00e7\u00e3o importante, considerando que o desmatamento pode danificar ou at\u00e9 destruir esses s\u00edtios. Quase dois ter\u00e7os (79 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos) est\u00e3o em \u00e1reas desmatadas para expans\u00e3o das \u00e1reas agr\u00edcolas. No Rio Grande do Norte, est\u00e3o 13 dos 19 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos em alertas de desmatamento relacionados \u00e0 expans\u00e3o de projetos de energias sustent\u00e1veis (solares ou e\u00f3licas)\u201d acrescenta Marcos Rosa, coordenador t\u00e9cnico do MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>O que s\u00e3o os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00edtios arqueol\u00f3gicos s\u00e3o locais onde se encontram vest\u00edgios materiais da atividade humana, tanto do per\u00edodo pr\u00e9-colonial quanto hist\u00f3rico. Esses vest\u00edgios podem estar em superf\u00edcie, enterrados ou submersos e incluem fragmentos de cer\u00e2mica, metal, vidro, rochas, entre outros. A identifica\u00e7\u00e3o e o registro dos s\u00edtios exigem uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e subjetivos, como a quantidade e o tipo de vest\u00edgios, sua contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e geogr\u00e1fica, al\u00e9m de m\u00e9todos variados de prospec\u00e7\u00e3o \u2014 de vistorias e escava\u00e7\u00f5es a tecnologias como radar GPR, LIDAR e sonares.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o, os dados s\u00e3o encaminhados ao IPHAN, que avalia a pertin\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es antes de incluir o s\u00edtio no Sistema Integrado de Conhecimento e Gest\u00e3o (SICG). Uma vez registrado, o s\u00edtio pode ser alvo de projetos de escava\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o, como visitas monitoradas e a\u00e7\u00f5es educativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Acesse os dados no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/plataforma.brasil.mapbiomas.org\/infraestrutura\" target=\"_blank\">M\u00f3dulo de Infraestrutura da plataforma do MapBiomas<\/a> and <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/03\/2025-Factsheet-Sitios-Arqueologicos_12.03.26.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fact sheet<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagem: Deyvesson Gusm\u00e3o<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bahia lidera em n\u00famero de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos cadastrados, seguida por Paran\u00e1 e Minas Gerais lan\u00e7ada em 29 de abril de 2025, atualizada em 12 de mar\u00e7o de 2026 O Brasil possui atualmente 27.974 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos oficialmente cadastrados e georreferenciados pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN), com destaque para os biomas Mata Atl\u00e2ntica [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":25,"featured_media":6713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok.jpg",853,934,false],"thumbnail":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok-400x300.jpg",400,300,true],"medium":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok-274x300.jpg",274,300,true],"medium_large":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok-768x841.jpg",768,841,true],"large":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok.jpg",853,934,false],"1536x1536":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok.jpg",853,934,false],"2048x2048":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok.jpg",853,934,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok-11x12.jpg",11,12,true],"infographic":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok-853x545.jpg",853,545,true],"team":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/04\/Foto-sol-de-campinas-ok-370x370.jpg",370,370,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"carolinacalvet","author_link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/author\/carolinacalvet\/"},"uagb_comment_info":33,"uagb_excerpt":"Bahia lidera em n\u00famero de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos cadastrados, seguida por Paran\u00e1 e Minas Gerais lan\u00e7ada em 29 de abril de 2025, atualizada em 12 de mar\u00e7o de 2026 O Brasil possui atualmente 27.974 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos oficialmente cadastrados e georreferenciados pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN), com destaque para os biomas Mata Atl\u00e2ntica&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6712"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8579,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6712\/revisions\/8579"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}