{"id":5869,"date":"2024-11-12T09:05:01","date_gmt":"2024-11-12T12:05:01","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/?p=5869"},"modified":"2024-11-12T11:14:00","modified_gmt":"2024-11-12T14:14:00","slug":"reducao-de-superficie-de-agua-no-pantanal-favorece-incendios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/2024\/11\/12\/reducao-de-superficie-de-agua-no-pantanal-favorece-incendios\/","title":{"rendered":"Reduction of water surface in the Pantanal favors fires"},"content":{"rendered":"<p><strong>12 de novembro de 2024<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Per\u00edodos de cheias cada vez menores e secas cada vez mais prolongadas que favorecem inc\u00eandios mais intensos: esta \u00e9 a nova realidade do Pantanal de acordo com o mais recente levantamento do MapBiomas. Dados mensais sobre a superf\u00edcie de \u00e1gua e de campos alagados mostram que de 1985 a 2023, \u00faltimo ano mapeado pelos pesquisadores, o bioma est\u00e1 alagando uma \u00e1rea menor e ficando seco por um per\u00edodo maior no ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 3,3 milh\u00f5es de hectares de \u00e1rea alagada, o ano passado foi 38% mais seco que 2018, quando ocorreu a \u00faltima grande cheia do bioma, que cobriu 5,4 milh\u00f5es de hectares.&nbsp; Essa extens\u00e3o, no entanto, j\u00e1 era 22% mais seca que a de 1988 (primeira grande cheia da s\u00e9rie hist\u00f3rica do MapBiomas, que cobriu 6,8 milh\u00f5es de hectares).&nbsp; Em 2023 a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua foi de 61% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica (1985 a 2023).&nbsp; As \u00e1reas alagadas por mais de tr\u00eas meses no ano tamb\u00e9m apresentam tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o bioma tem apresentado uma menor \u00e1rea alagada ao mesmo tempo que o alagamento apresenta menor tempo de perman\u00eancia. Paralelamente, 22% (421 mil hectares) da atual \u00e1rea de savana (2,3 milh\u00e3o de hectares) vieram de locais que secaram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a no padr\u00e3o de cheias e secas tem efeitos sobre a incid\u00eancia de queimadas no bioma. Entre 1985 e 1990 (in\u00edcio da s\u00e9rie temporal analisada pelo MapBiomas), a extens\u00e3o queimada correspondeu a \u00e1reas naturais em processo de convers\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de pastagem. Ap\u00f3s a cheia de 2018, nota-se uma recorr\u00eancia de inc\u00eandios no entorno do Rio Paraguai. De 2019 a 2023, o fogo tem atingido locais que no in\u00edcio da s\u00e9rie de mapeamento, de 1985 a 1990, eram permanentemente alagados, mas que agora est\u00e3o passando por per\u00edodos prolongados de seca. O total queimado de 2019 a 2023 foi de 5,8 milh\u00f5es de hectares e a regi\u00e3o mais atingida foi justamente essas \u00e1reas que antes eram permanentemente alagadas no entorno do Rio Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, \u00faltimo ano da s\u00e9rie mapeada, as pastagens ex\u00f3ticas apresentaram pouca ocorr\u00eancia de fogo devido \u00e0 baixa biomassa seca dispon\u00edvel para combust\u00e3o. Isso, por\u00e9m, explicita como o processo de desmatamento para convers\u00e3o de \u00e1reas naturais em pastagem, utiliza o fogo para facilitar a abertura de \u00e1reas naturais, para a limpeza do solo e na consolida\u00e7\u00e3o da pastagem. Depois de consolidado o uso como pastagem, a incid\u00eancia de fogo \u00e9 pequena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 incid\u00eancia em \u00e1reas naturais. No Pantanal e no per\u00edodo de 1985 a 2023, as pastagens ex\u00f3ticas correspondem a 4,8% de toda a \u00e1rea atingida por fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA frequ\u00eancia elevada de inc\u00eandios no bioma est\u00e1 associada \u00e0 predomin\u00e2ncia de vegeta\u00e7\u00e3o campestre, \u00e0 alta incid\u00eancia de varia\u00e7\u00f5es no regime de inunda\u00e7\u00e3o da plan\u00edcie e a per\u00edodos de seca prolongados\u201d, explica Mariana Dias da equipe do bioma Pantanal no MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p>Composto por patamares, serras, chapadas e depress\u00f5es, o planalto da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto Paraguai (BAP) integra os biomas do Cerrado e da Amaz\u00f4nia e desempenha um papel fundamental na hidrologia da plan\u00edcie pantaneira. Todos os rios da regi\u00e3o nascem no planalto e fluem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 plan\u00edcie, at\u00e9 alcan\u00e7arem o Rio Paraguai. O pulso de inunda\u00e7\u00e3o da plan\u00edcie pantaneira depende diretamente do fluxo de \u00e1gua proveniente do planalto. A din\u00e2mica da cobertura vegetal e os tipos de uso da terra no planalto da BAP afetam diretamente a plan\u00edcie do Pantanal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Pantanal j\u00e1 experimentou per\u00edodos secos prolongados, como nas d\u00e9cadas de 1960 a 1970, mas atualmente outra realidade, de uso agropecu\u00e1rio intensivo e de substitui\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o natural por \u00e1reas de pastagem e agricultura, principalmente no planalto da BAP, altera a din\u00e2mica da \u00e1gua na bacia hidrogr\u00e1fica\u201d, explica Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento do bioma Pantanal no MapBiomas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se em 1985 o uso antr\u00f3pico das terras da BAP correspondia a 22% do total, no ano passado esse percentual j\u00e1 alcan\u00e7ava 42%.&nbsp; O planalto da BAP tem 83% de todo o uso antr\u00f3pico da BAP e entre 1985 e 2023, foram convertidos para pastagem e agricultura&nbsp; 5,4 milh\u00f5es de hectares, dos quais 2,4 milh\u00f5es de hectares eram florestas e 2,6 milh\u00f5es de hectares eram forma\u00e7\u00f5es sav\u00e2nicas. O principal uso antr\u00f3pico do planalto da BAP \u00e9 a pastagem, que responde por 77% do total ou mais de 11,4 milh\u00f5es de hectares, seguido pela agricultura e mosaico de usos, que juntos representam 20% (3,1 milh\u00f5es de hectares) do uso antr\u00f3pico na BAP.<\/p>\n\n\n\n<p>Na plan\u00edcie, a perda de \u00e1reas naturais foi menos intensa e mais recente. Ao todo, foram suprimidos 1,8 milh\u00e3o de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o natural entre 1985 e 2023, dos quais quase 859 mil hectares de forma\u00e7\u00e3o campestre e campo alagado, 600 mil hectares de savana e 437 mil hectares de floresta.&nbsp; Entre 1985 e 2023, as pastagens ex\u00f3ticas na plan\u00edcie pantaneira passaram de 700 mil hectares para 2,4 milh\u00f5es de hectares, aumentando justamente sobre as \u00e1reas naturais suprimidas. Mais da metade (55%) do aumento da pastagem ex\u00f3tica na plan\u00edcie ocorreu nos \u00faltimos 23 anos.&nbsp; Na plan\u00edcie pantaneira, 87% das pastagens ex\u00f3ticas apresentam baixo e m\u00e9dio vigor vegetativo. &#8220;A substitui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o campestre e campo alagado por pastagens ex\u00f3ticas na plan\u00edcie exige estrat\u00e9gias de manejo adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de solo e \u00e0 sazonalidade dos pulsos de inunda\u00e7\u00e3o&#8221;, lembra Eduardo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1-44okj1MXnxxvScnCCYp5LeBl6fGm3ho\/view\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1-44okj1MXnxxvScnCCYp5LeBl6fGm3ho\/view\">&gt;&gt; Clique para acessar o Fact Sheet e ver mais dados.<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>12 de novembro de 2024 Per\u00edodos de cheias cada vez menores e secas cada vez mais prolongadas que favorecem inc\u00eandios mais intensos: esta \u00e9 a nova realidade do Pantanal de acordo com o mais recente levantamento do MapBiomas. Dados mensais sobre a superf\u00edcie de \u00e1gua e de campos alagados mostram que de 1985 a 2023, [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":25,"featured_media":5870,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-scaled.jpg",2560,1920,false],"thumbnail":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-400x300.jpg",400,300,true],"medium":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-300x225.jpg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-768x576.jpg",768,576,true],"large":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-1024x768.jpg",1024,768,true],"1536x1536":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-1536x1152.jpg",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-2048x1536.jpg",2048,1536,true],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-16x12.jpg",16,12,true],"infographic":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-970x545.jpg",970,545,true],"team":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2024\/11\/pag01_capa-370x370.jpg",370,370,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"carolinacalvet","author_link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/author\/carolinacalvet\/"},"uagb_comment_info":148,"uagb_excerpt":"12 de novembro de 2024 Per\u00edodos de cheias cada vez menores e secas cada vez mais prolongadas que favorecem inc\u00eandios mais intensos: esta \u00e9 a nova realidade do Pantanal de acordo com o mais recente levantamento do MapBiomas. Dados mensais sobre a superf\u00edcie de \u00e1gua e de campos alagados mostram que de 1985 a 2023,&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5869"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5955,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5869\/revisions\/5955"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}