{"id":1476,"date":"2023-06-12T14:38:00","date_gmt":"2023-06-12T14:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/staging-brasil.mapbiomas.org\/?p=1476"},"modified":"2023-09-28T18:28:28","modified_gmt":"2023-09-28T18:28:28","slug":"desmatamento-nos-biomas-do-brasil-cresceu-223-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/2023\/06\/12\/desmatamento-nos-biomas-do-brasil-cresceu-223-em-2022\/","title":{"rendered":"Deforestation in Brazil's biomes increased 22.3% in 2022"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Segundo o mais recente Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento (RAD) do MapBiomas, 90% da \u00e1rea desmatada no pa\u00eds no ano passado ficam na Amaz\u00f4nia e no Cerrado<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mapbiomas-br-site.s3.amazonaws.com\/RAD2022_12.06.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea desmatada no Brasil cresceu 22,3% em 2022 segundo o mais recente Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento (RAD 2022) do MapBiomas, que consolida dados de todo o territ\u00f3rio nacional e seus biomas. Foram identificados, validados e refinados 76.193&nbsp;alertas, que totalizaram 2.057.251 ha de desmatamento no ano passado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em quatro anos (2019 a 2022), desde que o RAD foi implementado, foram reportados mais de 303 mil eventos de desmatamento totalizando 6,6 milh\u00f5es de hectares, o que equivale a uma vez e meia a \u00e1rea do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia e o Cerrado juntos respondem por 70,4% dos alertas e 90,1% da \u00e1rea desmatada em 2022. Embora o Cerrado tenha uma participa\u00e7\u00e3o de apenas 8,3% no n\u00famero total de alertas, a \u00e1rea total desmatada representa quase um ter\u00e7o da vegeta\u00e7\u00e3o natural suprimida no pa\u00eds (32,1%) no ano passado devido ao tamanho dos alertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve incremento na \u00e1rea desmatada em cinco dos seis biomas brasileiros entre 2021 e 2022, com exce\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica. Em termos de \u00e1rea, os maiores aumentos ocorreram na Amaz\u00f4nia (incremento de 190.433 ha) e no Cerrado (incremento de 156.871 ha). Em termos proporcionais, os maiores aumentos ocorreram no Cerrado (31,2%) e no Pampa (27,2%).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/storage.googleapis.com\/alerta-public\/dashboard\/rad\/2022\/RAD_2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&gt;&gt; Download the full report in English&nbsp;<\/a><br><br><a href=\"https:\/\/storage.googleapis.com\/alerta-public\/dashboard\/rad\/2022\/RAD_2022_Destaques_12.06ok_1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&gt;&gt; Acesse os destaques do RAD 2022<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Do total de eventos de desmatamento em 2022, 62,1% ocorreram na Amaz\u00f4nia, com 1.192.635 ha desmatados (58% da \u00e1rea total desmatada no pa\u00eds). A Caatinga aparece em seguida, com 18,4% dos alertas e 140.637 ha (6,8% da \u00e1rea), seguida pelo Cerrado com 8,3% dos alertas (32,1% da \u00e1rea) e 659.670 ha. Mesmo com a maior parte da sua \u00e1rea florestal desmatada, restando menos de 29% da sua cobertura florestal, na Mata Atl\u00e2ntica foram desmatados 30.012 ha, o que representa 1,5% da \u00e1rea total desmatada no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de responder pela menor \u00e1rea de alertas (0,2% do total), o Pampa teve um aumento de 27,2% na \u00e1rea desmatada de 2021 para 2022, mas foi a primeira vez que o SAD Pampa foi incorporado ao sistema de monitoramento do MapBiomas. No Pantanal, observou-se uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de alertas validados (-8,9%), mas um aumento de 4,4% na \u00e1rea desmatada entre 2021 e 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Par\u00e1 mant\u00e9m a lideran\u00e7a; Amazonas \u00e9 onde mais cresce o desmatamento&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado do Par\u00e1 lidera o ranking do desmatamento, com 22,2% da \u00e1rea desmatada no pa\u00eds (456.702 ha), seguido pelo Amazonas, com 13,33% (274.184 ha). A \u00e1rea desmatada no Amazonas cresceu 37% em rela\u00e7\u00e3o a 2021, levando o estado a superar o Mato Grosso pelo segundo ano seguido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro lugar ficou o estado do Mato Grosso, com 11,62% da \u00e1rea desmatada (239.144 ha), seguido da Bahia, com 10,94% (225.151 ha). Ela ultrapassou o Maranh\u00e3o, que teve 168.446 ha de desmatamento (8,2%). Juntos, estes cinco estados (PA, AM, MT, BA e MA) responderam por dois ter\u00e7os (66%) do desmatamento detectado no Brasil em 2022.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Quase dois ter\u00e7os dos munic\u00edpios brasileiros tiveram desmatamentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, 3.471 (62%) tiveram pelo menos um evento de desmatamento detectado e validado em 2022. Entre os 3.471 munic\u00edpios que tiveram alertas em 2022, apenas 50 responderam por 52% da \u00e1rea total desmatada no Brasil, sendo que 17 desses munic\u00edpios est\u00e3o no estado do Par\u00e1 e oito no Amazonas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio de L\u00e1brea, no Amazonas, com 62.419 ha desmatados, superou a \u00e1rea desmatada do munic\u00edpio de Altamira no Par\u00e1, campe\u00e3o de \u00e1rea desmatada nos \u00faltimos tr\u00eas relat\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando os \u00faltimos quatro anos, apenas 1426 munic\u00edpios (25,6%) n\u00e3o tiveram desmatamento detectado.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amacro e Matopiba: os hubs de desmatamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Matopiba concentrou-se 26,3% da \u00e1rea desmatada no Brasil em 2022. Foram 4.975 alertas e 541.803 ha desmatados \u2013 um aumento de 37% da \u00e1rea desmatada em rela\u00e7\u00e3o a 2021. A regi\u00e3o do Matopiba foi onde se concentrou a maior parte dos desmatamentos no Cerrado: cerca de 82,1% da \u00e1rea de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa do bioma. Tamb\u00e9m \u00e9 no Matopiba onde est\u00e3o os 10 munic\u00edpios que mais desmataram no Cerrado em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o Amacro, foram 7.055 alertas e 231.955 ha desmatados em 2022 \u2013 11,3% da \u00e1rea desmatada no Brasil e aproximadamente 19,4% do que foi perdido na Amaz\u00f4nia. Houve um incremento de 12,3% do desmatamento nessa regi\u00e3o em 2022 em rela\u00e7\u00e3o a 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>O desmatamento \u00e9 um processo r\u00e1pido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento em 2022 indica que a atividade \u00e9 executada em larga escala: foram 234,8 ha por hora, ou 5.636 ha por dia, na m\u00e9dia &#8211; um incremento de 24,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2021. Somente na Amaz\u00f4nia foram 3.267,5 ha desmatados por dia, ou 136,1 ha por hora. Isso equivale 2,3 ha por minuto e significa que cerca de 21 \u00e1rvores foram derrubadas a cada segundo. O Cerrado est\u00e1 em segundo lugar, com 1.807,3 ha por dia, o equivalente a 75,3 ha por hora. O aumento da velocidade foi constatado em todos os biomas, menos na Mata Atl\u00e2ntica, onde se manteve est\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A velocidade m\u00e9dia por alerta tamb\u00e9m teve um incremento em 2022: 0,18 ha\/alerta\/dia em 2021 passou para 0,20 ha\/alerta\/dia. Foram detectados e validados, em m\u00e9dia, 239 novos eventos de desmatamento por dia em 2022; em 2021 foram 191.<\/p>\n\n\n\n<p>A velocidade m\u00e9dia m\u00e1xima de desmatamento para um \u00fanico evento de desmatamento foi alcan\u00e7ada no alerta de c\u00f3digo 617708, no munic\u00edpio de Alto Parna\u00edba, no Maranh\u00e3o. Foram 239 ha\/dia de Cerrado, permitindo que 1.913 ha fossem desmatados em apenas nove dias, entre 11\/06\/2022 e 19\/06\/2022. Na Amaz\u00f4nia, a maior velocidade m\u00e9dia m\u00e1xima observada foi de 36,3 ha\/dia no alerta de c\u00f3digo 600321, localizado no munic\u00edpio de Novo Aripuan\u00e3, no Amazonas. J\u00e1 no Pantanal, o alerta com maior velocidade m\u00e9dia m\u00e1xima observada foi de 25,5 ha\/dia, em Corumb\u00e1, no Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A velocidade pode ser ligada ao alto investimento na atividade: desmatadores t\u00eam dinheiro para desmatar nessa velocidade, com maquin\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><video controls=\"controls\" width=\"560\" height=\"280\"><\/video><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1reas devastadas cada vez maiores&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Houve um aumento de 19,3% na quantidade de desmatamentos com mais de 100 ha por alerta em 2022. Apesar de representarem apenas 4,8% do total de alertas, eles respondem por 60,6% do total desmatado no pa\u00eds. As \u00e1reas desmatadas com menos de 25 ha representam 81,9% do total de alertas, mas somente 15% da \u00e1rea desmatada.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia direta da maior velocidade de desmatamento, a \u00e1rea m\u00e9dia desmatada por alerta alcan\u00e7ou 27 ha, um aumento de 14,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2021. No Cerrado e na Amaz\u00f4nia, por\u00e9m, o crescimento foi bem maior: 48,7% e 21,2%, respectivamente. Mas \u00e9 o Pantanal o bioma com a maior \u00e1rea m\u00e9dia desmatada por alerta: 117,3 ha. O Cerrado vem em seguida, com&nbsp;104,8 ha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica e o Pampa possuem as menores \u00e1reas m\u00e9dias por desmatamento (3,8 ha e 7,4 ha, respectivamente), o que pode ser explicado pela maior fragmenta\u00e7\u00e3o da paisagem e pela estrutura fundi\u00e1ria, com propriedades rurais de menor tamanho, na compara\u00e7\u00e3o com os demais biomas.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Florestas: as mais desmatadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir do cruzamento da \u00e1rea desmatada com o mapa de cobertura e uso da terra do MapBiomas, observa-se que em 2022 houve o predom\u00ednio de desmatamento na forma\u00e7\u00e3o florestal (64,9%) e na forma\u00e7\u00e3o sav\u00e2nica (31,3%), sendo o restante predominantemente sobre forma\u00e7\u00e3o campestre (3,6%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Quilombos e terras ind\u00edgenas: os mais preservados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQ) e Terras Ind\u00edgenas (Tis) permanecem como os territ\u00f3rios mais preservados do Brasil. Os desmatamentos em TIs representaram 1,4% da \u00e1rea total desmatada no Brasil em 2022 e 4,5% do total de alertas validados no per\u00edodo. A maior parte dos alertas (91%) e da \u00e1rea desmatada em TIs (26.598 ha) se encontra no bioma Amaz\u00f4nia. Pelo segundo ano consecutivo, a maior \u00e1rea desmatada em TI ocorreu na TI Apyterewa (PA), com 10.525 ha desmatados em 594 eventos de desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os desmatamentos que se sobrep\u00f5em \u00e0s CRQs representaram 0,05% da \u00e1rea total desmatada no Brasil em 2022. Do total de 456 CRQs certificadas, apenas 62 (26,1%) tiveram pelo menos um alerta de desmatamento detectado e validado em 2022 com pelo menos 0,3 ha. A CRQ com maior \u00e1rea desmatada foi Kalunga (GO), onde 258 ha de vegeta\u00e7\u00e3o nativa foram suprimidos &#8211; parte dentro da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Pouso Alto, no entorno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>90% da \u00e1rea desmatada no Brasil cruza com apenas 1,1% dos im\u00f3veis registrados no CAR&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de desmatamento com sobreposi\u00e7\u00e3o total com \u00e1reas com CAR alcan\u00e7ou 1.729.099 ha, o que representa 83% da \u00e1rea desmatada no pa\u00eds em 2022. Por\u00e9m, quando se considera a \u00e1rea dos alertas que cruzam tamb\u00e9m parcialmente com o CAR, este n\u00famero sobe para 1.887.247 ha, ou 90% da \u00e1rea desmatada no Brasil. O Pantanal e o Cerrado s\u00e3o os biomas que apresentaram a maior propor\u00e7\u00e3o da \u00e1rea total de alertas que cruzam total ou parcialmente com CAR: 99% e 98%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas 1,1% dos im\u00f3veis cadastrados no CAR tiveram registro de desmatamento em 2022 no Brasil. Por\u00e9m esse pequeno percentual respondeu por 79% dos alertas do pa\u00eds. Ao todo, 60.183 alertas identificados em 2022&nbsp;se sobrep\u00f5em total ou parcialmente com \u00e1reas com CAR.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maior concentra\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis no CAR com desmatamento est\u00e1 no bioma Amaz\u00f4nia (118.711 im\u00f3veis, 56%), seguido do Cerrado (49.405 im\u00f3veis, 23%) e da Caatinga (28.364 im\u00f3veis, 13%). Dos im\u00f3veis cadastrados no CAR com desmatamento validado em 2022, 39.063 (52%) foram reincidentes, ou seja, tiveram registro de desmatamento em mais de um ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando o per\u00edodo de quatro anos (2019 a 2022) foi detectado pelo menos um desmatamento em&nbsp;212.884 CARs, o que representa 3,1% do total de CARs. Isso indica que nos \u00faltimos quatro anos n\u00e3o houve detec\u00e7\u00e3o de desmatamento em 96,9% dos quase 7 milh\u00f5es de im\u00f3veis rurais cadastrados no CAR.<br><br><strong>Agropecu\u00e1ria continua sendo o principal vetor de desmatamento&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A agropecu\u00e1ria respondeu por 1.969.095 ha, ou 95,7% do total de 2.057.250 ha desmatados no Brasil em 2022, consolidando-se como o principal vetor de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o garimpo respondeu por 5.965 ha e outras atividades de minera\u00e7\u00e3o por 1.128 ha.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O calend\u00e1rio da destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora a din\u00e2mica de desmatamento nos biomas apresenta diferen\u00e7as, o dia com maior \u00e1rea desmatada em 2022 foi 25 de julho, com 6.945 ha desmatados. Isso equivale a 804 m2&nbsp;por segundo ou 4,8 ha por minuto. Em apenas 24 horas, foi desmatada uma \u00e1rea equivalente a 8.400 campos de futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Os picos de desmatamento por bioma, no entanto, variam. Na Caatinga, o \u00e1pice do desmatamento aconteceu na primeira quinzena de fevereiro. Na Mata Atl\u00e2ntica, foi no final de mar\u00e7o, diferentemente de 2021, quando o auge foi alcan\u00e7ado em agosto. No Cerrado, o pico aconteceu no in\u00edcio de abril. No Pantanal, foi na primeira quinzena de junho. Na Amaz\u00f4nia, foi no final de julho. No Pampa, foi na segunda quinzena de setembro.&nbsp;<br><br><br><strong>A irregularidade impera no desmatamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da sobreposi\u00e7\u00e3o com \u00e1reas protegidas em TI e UC, o relat\u00f3rio inclui outras evid\u00eancias de irregularidades, como a sobreposi\u00e7\u00e3o de desmatamento com \u00c1reas de Reserva Legal (RL) e \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP). Essas \u00e1reas n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de desmatamento, exceto em condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas e autorizadas. No entanto, os pesquisadores identificaram 39.661 alertas sobrepostos em pelo menos 0,3 ha sobre a Reserva Legal em 2022. Isso significa que metade (52%) dos alertas tem sobreposi\u00e7\u00e3o com RL. Em termos de \u00e1rea, 699.189 ha se sobrepuseram com RL, o que representa 34% da \u00e1rea total desmatada em 2022. Todos os biomas tiveram um aumento de \u00e1rea desmatada em Reserva Legal em 2022 quando comparado ao ano anterior (2021), com exce\u00e7\u00e3o do Cerrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a an\u00e1lise de desmatamento em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente ao longo dos rios foram considerados os dados autodeclarados pelo propriet\u00e1rio de terra no SICAR, que s\u00e3o subestimados. Ainda assim, em 2022, houve sobreposi\u00e7\u00e3o de 6.867 alertas (9%&nbsp;do total) com pelo menos 0,3 ha em APP. J\u00e1 em termos de \u00e1rea, a sobreposi\u00e7\u00e3o foi de 23.839&nbsp;ha, ou 1,1% do total desmatado no pa\u00eds. No Brasil e em todos os biomas, houve aumento da \u00e1rea desmatada em APPs em 2022 em rela\u00e7\u00e3o a 2021.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao cruzar os dados de desmatamento autorizados, que respeitam a Reserva Legal, \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente, nascentes e sem sobreposi\u00e7\u00f5es com \u00e1reas protegidas (tais como Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e Terras Ind\u00edgenas), observa-se que apenas 228 dos 76.193 alertas, ou seja 0,3% (0,7% em \u00e1rea), atendem aos crit\u00e9rios estabelecidos pelos especialistas para ind\u00edcios de legalidade.&nbsp; Isso significa que h\u00e1 ind\u00edcios de ilegalidade da \u00e1rea desmatada no Brasil acima de 99%, considerando os dados oficiais disponibilizados.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A impunidade ainda domina o desmatamento ilegal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Relat\u00f3rio analisou as as a\u00e7\u00f5es realizadas pelos \u00f3rg\u00e3os de controle ambiental para conter o desmatamento ilegal incluindo autua\u00e7\u00f5es e embargos. As a\u00e7\u00f5es de autua\u00e7\u00e3o e embargo realizadas pelo IBAMA e ICMBio at\u00e9 maio de 2023 atingiram apenas 2,4% dos alertas de desmatamento e 10,2% da \u00e1rea desmatada identificada de 2019 a 2022.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando considerados os 59 munic\u00edpios definidos como priorit\u00e1rios pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para o combate ao desmatamento na Amaz\u00f4nia, este \u00edndice \u00e9 um pouco melhor: 4,1% do total de alertas e 17,7% da \u00e1rea desmatada.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se somam os esfor\u00e7os estaduais, o percentual de alertas com&nbsp; autoriza\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es sobe para 9,7%&nbsp; e, em termos de \u00e1rea, chega a 35,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de 2019 a 2022, os estados com a maior propor\u00e7\u00e3o do desmatamento respondido com algum tipo de a\u00e7\u00e3o (seja autoriza\u00e7\u00e3o, autua\u00e7\u00f5es ou embargos) pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais e minist\u00e9rios p\u00fablicos&nbsp; foram Esp\u00edrito Santo (73,7% dos alertas no estado), Rio Grande do Sul (55,6%), S\u00e3o Paulo (40,3%), Mato Grosso (37,3%). Os estados que apresentaram menor atua\u00e7\u00e3o foram Pernambuco (0,8%), Maranh\u00e3o (1,6%) e Cear\u00e1 (1,9%).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o mais recente Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento (RAD) do MapBiomas, 90% da \u00e1rea desmatada no pa\u00eds no ano passado ficam na Amaz\u00f4nia e no Cerrado A \u00e1rea desmatada no Brasil cresceu 22,3% em 2022 segundo o mais recente Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento (RAD 2022) do MapBiomas, que consolida dados de todo o territ\u00f3rio nacional [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":2882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022-.png",1920,1920,false],"thumbnail":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--400x300.png",400,300,true],"medium":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--300x300.png",300,300,true],"medium_large":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--768x768.png",768,768,true],"large":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--1024x1024.png",1024,1024,true],"1536x1536":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--1536x1536.png",1536,1536,true],"2048x2048":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022-.png",1920,1920,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--12x12.png",12,12,true],"infographic":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--970x545.png",970,545,true],"team":["https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/09\/RAD-2022--370x370.png",370,370,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"Adriel Fernandes","author_link":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/author\/adriel-fernandes\/"},"uagb_comment_info":58,"uagb_excerpt":"Segundo o mais recente Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento (RAD) do MapBiomas, 90% da \u00e1rea desmatada no pa\u00eds no ano passado ficam na Amaz\u00f4nia e no Cerrado A \u00e1rea desmatada no Brasil cresceu 22,3% em 2022 segundo o mais recente Relat\u00f3rio Anual de Desmatamento (RAD 2022) do MapBiomas, que consolida dados de todo o territ\u00f3rio nacional&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1476"}],"collection":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1476"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1476\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2883,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1476\/revisions\/2883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}